Querido diário… (1)

Não aguento mais viver com a minha mãe, pois ela reproduz todo tipo de opressão da sociedade.

– Gordofobia institucionalizada e patologização de corpos fora do padrãozinho:

“Betine, precisa comer o quarto prato cheio de purê de batata? Não faz bem.”

– Homolesbotransfobia estrutural e transmisoginia ao assumir meu gênere:

“Filha, quando é que você vai casar e me dar uma netinha?”

– Racismo sistêmico:

“O cabelo da Glória Maria é bonito, né?”

– Xenofobia violenta:

“Brasileiros são simpáticos.”

– Capacitismo assassino:

“Se você perdesse peso não precisaria dessa cadeira de rodas.”

Só mesmo com muita sororidade para viver sob o mesmo teto com um ser que diz coisas tão abomináveis. Mas eu sei que, como minha mãe é mulher, ela não é gordofóbica homolesbotransfóbica racista xenófoba capacitista, ela apenas reproduz grodofobia, homolesbotransfobia, racismo, xenofobia e capacitismo. Precisa ser desconstruída, embora não seja meu papel desconstruir ninguém, é papel de quem reproduz opressão se desconstruir. Então não falo com ela há 3 anos e 7 meses.

Betine BombomQuerido diário… (1)